As discussões acerca da gestão democrática apontam diferentes desafios para a sua concretização. Entre eles destacamos as limitações encontradas pelos docentes e familiares no ambiente escolar em relação a sua participação nas tomadas de decisões.
Sabemos que a participação em seu sentido de Inter apoio e integração, visa construir um ambiente de troca, reciprocidade e compartilhamento de responsabilidades. Nessa direção, cabe aos gestores a capacidade de articulação e desenvolvimento de habilidades e atitudes de participação dos docentes e familiares, deixando de lado práticas autoritárias e centralizadoras que afetam o nível de participação no espaço escolar.

Nesse sentido, é primordial o diálogo dos gestores com os docentes para conscientizá-los a respeito da importância de participarem e intervirem com competência nas decisões da instituição escolar, como também criar estratégias que facilitem a participação efetiva da família nas atividades e tomada de decisões na escola.

Como base de estudo, nos apoiaremos na participação como engajamento, por ser, segundo Luck (2011), o nível mais completo de participação. Este modelo de participação implica em estar presente, propor ideias, considerar as diversas opiniões e pensamentos, desenvolvendo estratégias necessárias a efetivação das decisões tomadas. Tendo em vista estes aspectos, a participação por engajamento, contribuirá para a qualidade do processo educacional como
apontado por Luck (2011), ?a qualidade do ensino depende de que as pessoas afetadas por decisões institucionais exerçam o direito de participar desse processo de decisões, assim como tenham o dever de agir para implementá-las?. (p.48)
Para tanto, a partir da proposta do Projeto Comunidade de Aprendizagem, apresentaremos caminhos necessários para a construção de espaços de participação que tornem a gestão escolar democrática. Dessa forma, propomos como objetivo geral, refletir sobre a importância da participação dos professores e familiares na escola, apresentando estratégias para ampliar os espaços de participação no ambiente escolar, a partir do Projeto Comunidade de Aprendizagem.
PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE
Esse é sem dúvida o maior desafio das instituições de ensino, trazer a família, a comunidade para dentro da instituição, de maneira que, possam participar ativamente de todas as atividades e ações que são desenvolvidas na escola, assim como, nas tomadas de decisões.
Com o turbilhão de coisas acontecendo no dia-a-dia ao mesmo tempo, trabalho, cuidar da casa e dos filhos, estudar, ter laser, tudo isso implica em ter tempo. Aliás, a falta de tempo é o grande argumento usado como justificativa para a nço participação e também, a não flexibilização dos espaços-tempos para que a comunidade possa de fato fazer parte do cotidiano escolar.

Mas, existem instituições que estão avançando em relação a esse tema, são as escolas consideradas Comunidade de Aprendizagem que tem em sua essência a participação efetiva, ou como nos diz Luck (2011) a ?participação por engajamento? da comunidade, com o objetivo de superar as desigualdades educacionais e consequentemente as desigualdades sociais.

Conhecer as formas de participação presentes nesses espaços ? um caminho para mudar a cultura da queixa presente no cotidiano escolar, pois a escola se queixa que os familiares não participam e os familiares de que não há espaço para a sua participação. Dessa forma, A pesquisa INCLUD-ED, que baseia o Projeto Comunidade de Aprendizagem, identificou que existem cinco formas de participação dos familiares presentes no ambiente escolar, são elas: Participação Informativa, Participação Consultiva, Participação Decisiva, Participação Avaliativa e Participação Educativa.
As duas primeiras formas de participação (informativa e consultiva) citadas a cima, segundo a pesquisa INCLUD-ED, são formas de participação com menor probabilidade de conseguir êxito escolar e participação das famílias e são as formas mais presentes no contexto atual das escolas brasileiras em geral, pois os familiares são convidados a irem para a escola participar de reuniões que tem por objetivo apenas informar ou consultar os familiares em relação a alguma demanda da escola ou atividade que ela ir? realizar.
As três ultimas formas de participação, citadas acima, (decisiva, avaliativa e educativa) são formas com a maior probabilidade de conseguir êxito escolar e participação das famílias, ? o que Luck (2011), chama de participação por engajamento no ambiente escolar, pois os familiares são convidados a participarem das tomadas de decisões da escola, a ver junto com os educadores os melhores acordos para a educação dos estudantes e trocam conhecimentos com toda a comunidade escolar, se sentido corresponsável pelo espaço e pela educação dos estudantes.
Os espaços de participação presentes nas escolas que não são consideradas Comunidade de Aprendizagem são limitados e há pouca interação entre os participantes. Normalmente os familiares são convidados a participar de reuniões de pais e mestres, plantio pedagógico, palestras e festividades outras. Atividades que muitas vezes ficam na cultura da queixa e pouco motivam os familiares a quererem participar de outros momentos.

A proposta das Comunidades de Aprendizagem é ir além, é envolver toda a comunidade nas atividades desenvolvidas na escola, convidando-os inclusive, a pensar sobre como realizar tais atividades, como melhorar a relação entre professor-aluno, aluno-aluno, escola-família. É chamar os familiares a assumir o seu papel na escola e ser responsável, assim como a escola na aprendizagem dos alunos/as.

O projeto Comunidade de Aprendizagem baseia-se em um conjunto de práticas educativas de êxito que contribuem para a transformação social e educativa, envolvendo a participação de todos aqueles que, de forma direta ou indireta influenciam na aprendizagem e no desenvolvimento de todos os estudantes. O foco central da transformação está na perspectiva dialógica da aprendizagem, na qual todos participam e interagem de maneira igualitária.

A aprendizagem dialógica, baseada em uma concepção comunicativa, entende que as pessoas aprendem a partir das interações com outras pessoas. Pautada em sete princípios, que estão presentes em todas as ações do Projeto Comunidade de Aprendizagem, são eles: diálogo igualitário, inteligência cultural, transformação, criação de sentido, solidariedade, dimensão instrumental e igualdade de diferenças.

Os princípios da Aprendizagem dialógica estão presentes em todas as Atuações Educativas de ?êxito, identificadas e comprovadas cientificamente pela pesquisa INCLUD-ED, que contribuem para o aumento do rendimento escolar e melhora a convivência nos espaços escolares que são aplicadas. São sete as atuações educativas de ?êxito identificadas pela pesquisa que podem ser implementadas em Comunidades de Aprendizagem, são elas: Grupos Interativos, Tertúlias Dialógicas, Biblioteca Tutorada, Formação de Familiares, participação Educativa da Comunidade, Modelo Dialógico de Resolução de Conflito, Formação Pedagógica Dialógica.
A participação efetiva dos familiares nas escolas que são Comunidade de Aprendizagem é possível por meio da implantação de todas as atuações, mas iremos destacar um em especifico que podem contribuir ainda mais para que haja a participação por engajamento no ambiente escolar, como foco nas tomadas de decisões e compartilhamento de responsabilidade, que ? a atuação, Participação Educativa da Comunidade, surge como uma alternativa de abertura do espaço escolar para toda a comunidade. Essa atuação tem como objetivo principal compartilhar as responsabilidades dos agentes da comunidade educativa a respeito das decisões que afetam a escola.

O Projeto Comunidade de Aprendizagem propõe a criação de espaços nos quais os familiares, os/as professores/as, e membros da comunidade possam falar, expressar suas opiniões, debater e chegar a consensos em relação ? educação que todos querem para os estudantes, participando da supervisão dos acordos e atuações da escola, assim como dos resultados acadêmicos.

As Assembleias e as Comissões mistas são atuações que podem garantir esse tipo de participação, pois tem em sua essência o principio do diálogo igualitário que coloca todos os membros participantes na mesma condição, professorado e familiares tratando de assuntos referentes a melhora da convivência dos alunos e também da aprendizagem, rompendo com as relações de poder presentes na escola, pois o mais importante são os argumentos e não o cargo que a pessoa ocupa.

O principio da inteligência cultural se faz presente também porque h? o respeito e valorização das famílias na contribuição da aprendizagem dos educandos.

Essas atuações surgem como estratégias que podem contribuir para tornar o espaço escola mais democrático e acessível a toda a comunidade, pois descentraliza o processo de tomada de decisões da gestão e compartilha as responsabilidades com todos que fazem parte da comunidade escolar e dar voz aos sujeitos que são parte da comunidade escolar que a muito tempo são silenciados.
A Escola Municipal Sebastião José da Silva, localizada no agreste de pernambucano, no município de Belo Jardim, est? se transformando em Comunidade de Aprendizagem e est? atualmente na fase de planejamento dos sonhos que a escola poder? realizar, após a fase dos sonhos a escola montou uma comissão mista para em conjunto selecionar os sonhos que são possíveis para a escola realizar. A partir desse momento a equipe escolar precisou começar a pensar e se organizar de forma diferente, foi o primeiro passo para o início da transformação desse espaço escolar, o primeiro passo para que de fato o espaço escolar possa ser um lugar mais democrático. Ao abrir espaço para ouvir o que os familiares, funcionários e professores tem a falar foi possível perceber os diversos olhares, os diversos argumentos que cada um tem a contribuir e de mostrar que todos fazem parte da comunidade escolar e por isso todos são responsáveis pela manutenção do espaço físico e da qualidade do ensino-aprendizagem dos estudantes.

CONSIDERAÇõES FINAIS
A abertura da instituição escolar a comunidade contribui de forma significativa para a melhoria da qualidade da educação e da convivência cotidiana entre os alunos, professores e familiares.

Ter o entendimento de que participar vai além de se fazer presente na escola, participar ? de fato se engajar nas atividades, no processo de tomada de decisão, e na construção coletiva dos objetivos e do funcionamento da escola, por meio da interação, do dialogo e do consenso.

Por fim, O projeto Comunidades de Aprendizagem ? uma opção de tornar as escolas mais democráticas, compartilhando as responsabilidades, ou seja, descentralizando o poder de tomada de decisão da escola em todos os aspectos, abrindo o espaço para que todo o seu núcleo se sinta integrado e ativo nessas tomadas de decisões, tendo as famílias, os funcionários e toda a comunidade como motor de transformação do contexto e de melhora da convivência e excelência na aprendizagem.

REFERENCIAS:

LUCK, Heloísa; A gestão participativa na escola. 11 ed. Petrópolis, RJ. Vozes, 2013. Série Cadernos de Gestão.
Comunidade de Aprendizagem. Disponível em:<http://www.niase.ufscar.br/|_escolas-como-comunidades-de-aprendizagem-informaçães-gerais-traduzido-pdf>>.Acesso em 06 de setembro de 2016.