Escrito por: Danielle Navarro
No ano de 2015, atrav?s do Instituto Concei??o Moura, a Secretaria de Educa??o do Munic?pio de Belo Jardim recebeu do Instituto Natura a proposta de implantar o Projeto Comunidade de Aprendizagem em Belo Jardim.
O projeto consiste em um conjunto de atua??es educativas de ?xito voltadas para a transforma??o educacional, social e cultural que tem in?cio na escola e se expande para toda a comunidade, tem como objetivo superar as desigualdades sociais, visando uma melhora relevante na aprendizagem escolar em todos os n?veis e ao desenvolvimento da conviv?ncia e de atitudes solid?rias.
O Comunidades de Aprendizagem tem como foco as seguintes quest?es: Todos t?m o direito de aprender e de aprender muito. Que a igualdade de oportunidades deve levar consequentemente ? igualdade de resultados, al?m de transformar o contexto da aprendizagem e gerar efeitos que s?o cientificamente comprovados, pois toda sua estrutura??o e conceitua??o tem uma base de pesquisa muito s?lida desenvolvida pelo Centro Especial de Investigaci?n en Teorias y Pr?cticas Superadoras de la Desigualdad, da Universidade de Barcelona (CREA-UB).
As Institui??es educacionais que s?o Comunidades de Aprendizagem, apresentam melhora do desempenho e resultado acad?mico dos alunos em todas as disciplinas; diminuem radicalmente os ?ndices de repet?ncia e abandono escolar; amplia o sentido e a qualidade da aprendizagem para toda comunidade; melhora o clima e a conviv?ncia minimizando a ocorr?ncia de conflitos; aumenta a participa??o nas atividades escolares de todos alunos, pais, professores, gestores, funda??es e entidades, ?rg?os p?blicos; melhora as condi??es de vida ampliando a inser??o no mercado de trabalho, melhorando os n?veis de sa?de e qualidade de moradia da comunidade.
Partindo desses pressupostos, percebemos que o prop?sito do Projeto Comunidade de Aprendizagem ? uma ferramenta necess?ria e valiosa para nos auxiliar a atingir algumas metas de melhoria na educa??o de Belo Jardim, propostas em nosso Plano Municipal de Educa??o. Logo, realizamos a sua ades?o.

?A iniciativa de transformar a escola numa Comunidade de Aprendizagem pode surgir da equipe de dire??o, dos professores, dos familiares ou estudantes. Seja qual for sua origem ? importante que a gest?o da escola seja convencida de tomar contato com a proposta, pois todas as fases s? poder?o ser desenvolvidas se a transforma??o for assumida, desejada e decidida por todos seus agentes educativos?. (MELLO Roseli P?g82)

Recebemos visitas da formadora l?der do Instituto Natura e a partir desses encontros, convidamos a Gestora da Escola Municipal Sebasti?o Jos? da Silva
para uma reuni?o onde na oportunidade apresentamos o Comunidade de Aprendizagem. A mesma identificou prontamente que o Projeto tem grande potencial de ser desenvolvido na comunidade escolar e ent?o programamos como aconteceria as Fases de Transforma??o da Escola que possuem as seguintes etapas: Sensibiliza??o (Forma??o cient?fica de toda comunidade envolvida no processo educacional. ? o momento de realizar uma reflex?o sobre as pr?ticas escolares com melhores resultados e analisar as condi??es atuais da escola identificando for?as e defici?ncias); Tomada de decis?o (Momento de escolha definitiva de transforma??o em uma Comunidade de Aprendizagem. Uma escolha que exige dialogo constante com toda comunidade envolvida, consenso e o compromisso de todos); O Sonho (Toda comunidade educativa sonha com ? escola que desejam para o futuro); Sele??o de prioridades (Quando ? decidido quais s?o as prioridades mais urgentes, os sonhos mais relevantes e compartilhados por toda comunidade) e planejamento (Momento de sistematizar os passos a percorrer entre a realidade e sonho).
Minha reflex?o tr?s as experi?ncias vivenciadas at? a etapa de sele??o de prioridades, pois ? onde estamos atualmente na Transforma??o da Escola Municipal Sebasti?o Jos? da Silva em uma Comunidade de Aprendizagem. ? a escola piloto de nosso Munic?pio que tem como proposta para 2017 ampliar o Projeto em outras escolas que se identifiquem com o mesmo.
Desenvolvimento do Trabalho

?A fase de sensibiliza??o representa, de fato, um momento de forma??o, estudo e reflex?o sobre os motivos pelos quais se prop?e a transforma??o da escola numa Comunidade de Aprendizagem. Ela ? um per?odo no qual todos os agentes educativos (familiares, professores, diretores, funcion?rios e colaboradores/ volunt?rios) se colocam para conhecer com maior profundidade as bases te?rico-metodol?gicas de Comunidades de Aprendizagem?. (MELLO Roseli P?g84)

A sensibiliza??o na Escola Municipal Sebasti?o Jos? da Silva foi realizada com a equipe escolar no pr?prio turno em que exercem sua fun??o. Tal orienta??o foi apresentada pela Equipe T?cnica da Secretaria de Educa??o que classificou essa etapa do projeto como parte da forma??o continuada do professor. Tamb?m foi pensado que dessa forma iriamos garantir que todos professores pudessem participar pois, muitos deles possuem outros v?nculos no contra turno. A sensibiliza??o teve a dura??o de 16 horas fracionadas em 4 dias (2 dias por semana a cada 15 dias). Uma semana anterior ao inicio da primeira etapa, a escola teve o cuidado de reunir os respons?veis pelos alunos e explanou de forma r?pida a filosofia do projeto, tamb?m explicou a import?ncia dessa forma??o inicial (sensibiliza??o). Foi apresentado o planejamento das atividades extraclasse que os alunos vivenciariam durante esse per?odo para que n?o houvesse perdas na aprendizagem de m?xima qualidade que ? o primeiro eixo a favor do qual o CA se p?e. A partir dai a Comunidade indiretamente j? iniciou a ades?o ao projeto pois a proposta foi aceita por unanimidade.
Nesses quatro dias e 16 horas, foi apresentado o projeto Comunidade de Aprendizagem onde foram discutimos as caracter?sticas da sociedade atual, o conceito de aprendizagem dial?gica, a fundamenta??o te?rica, estrutura??o e funcionamento do projeto. Vimos tamb?m a import?ncia do di?logo igualit?rio como tamb?m as mudan?as que isso tr?s na metodologia de trabalho do professor como tamb?m no aprendizado do aluno.

?Com os elementos de an?lise e de reflex?o da fase de sensibiliza??o, chega-se ao momento em que a escola escolhe transformar-se, ou n?o, em Comunidade de Aprendizagem. Neste momento a institui??o escolar se dedicar? a promover um di?logo intenso entre todos? (MELLO Roseli P?g 92)

Para esse momento foi realizado um encontro entre os 36 funcion?rios da Escola Municipal Sebasti?o Jos? da Silva, a Secretaria de Educa??o n?o se fez presente atrav?s de seus t?cnicos por entender que o momento ? de grande import?ncia para a Comunidade Escolar e acreditamos que a presen?a de?algu?m que n?o fosse membro da mesma poderia influenciar de forma negativa, pressionando alguma decis?o e essa, como sabemos, n?o ? a proposta do CA. A tomada de decis?o ? feita por ades?o da equipe ao projeto.
Uma vez aceita a proposta do Comunidade de Aprendizagem pela equipe de profissionais da escola, partiu-se ent?o para a mobiliza??o dos familiares e pessoas da comunidade. Para esse momento a escola planejou uma pequena reuni?o muito especial que foi diferente a partir da forma como foi realizado o convite. Os professores confeccionaram cartazes pintados pelos alunos com o nome do projeto e sa?ram pelas ruas do bairro, alunos e professores, fazendo uma grande festa e muito barulho. Logo, as pessoas iam at? a porta de casa para ver o que estava acontecendo e nesse momento os alunos abordavam as pessoas e diziam que ?naquela noite, haveria uma reuni?o na escola ?s 19h, que ia trazer algo que mudaria a vida de todos que moram no bairro como tamb?m de quem ? aluno ou trabalha na Escola Municipal Sebasti?o Jos? da Silva. A curiosidade foi agu?ada com sucesso pois, foi uma noite especial. A escola possui uma m?dia de 400 alunos e recebeu mais de 400 pessoas para a mobiliza??o.
A formadora l?der do Instituto Natura juntamente com a gestora da escola e t?cnica da Secretaria de Educa??o realizaram a apresenta??o do projeto, suas propostas e metodologia; no mesmo momento tivemos a ades?o do CA por v?rios volunt?rios e por unanimidade dos presentes. Foi um momento marcante e bonito que colaborou para execu??o da etapa seguinte.

?? chegado o momento de sonhar com a nova escola que se quer constituir. ? uma fase envolvente, em que todos, como afirma FREIRE, sonham enquanto sujeitos que se fazem e refazem no processo de constru??o da hist?ria. A partir daqui as pessoas come?am a sentir a transforma??o ao visualizarem que uma parte do sonho j? ? em si uma realidade, podendo cada vez mais se ampliar os elementos favor?veis ? pr?tica educativa?. (MELLO Roseli P?g 96)

A Fase dos sonhos aconteceu durante alguns dias. A metodologia utilizada foi muito criativa. Foi produzido um painel que recebeu o nome de ??rvore dos?Sonhos?. Possu?a o desenho do caule de uma ?rvore e galhos ?secos?. Na chegada a escola, respons?veis, funcion?rios, alunos e visitantes, ou na hora da sa?da, eram entregue peda?os de papel em forma de ?folhas? e quem recebia o papel era convidado a sonhar e escrever sobre como seria a escola dos seus sonhos. Foi um processo riqu?ssimo que certamente foi desenvolvido com facilidade por consequ?ncia da qualidade que a etapa anterior foi vivenciada.

?A partir de agora, as pessoas implicadas ter?o por objetivo conhecer, analisar e estabelecer prioridades entre os sonhos, a realidade e os meios com os quais podem contar… As prioridades devem ser pensadas levando-se em considera??o os grandes objetivos de uma Comunidade de Aprendizagem: m?xima aprendizagem, conviv?ncia respeitosa e participa??o democr?tica?. (MELLO Roseli P?g 100)

A gestora da escola convidou membros da comunidade, professores, respons?veis, alunos, t?cnicos da secretaria de educa??o e do Instituto Concei??o Moura para participarem de uma reuni?o onde na ocasi?o, primeiramente constitu?mos a Comiss?o Mista da Escola Municipal Sebasti?o Jos? da Silva. Posteriormente demos in?cio a Sele??o de prioridades dos sonhos sonhados na fase anterior. Decidimos que os sonhos deveriam ser classificados em sonhos relacionados ao pedag?gico escolar, sonhos relacionados a estrutura f?sica, sonhos relacionados a projetos/programas e sonhos relacionados a equipe escolar. Ap?s esse procedimento para cada grupo selecionamos os sonhos que podem ser realizados a curto, m?dio e longo prazo. Encontramos muitos sonhos que tivemos dificuldades em classific?-los pois foram mensagens escritas com depoimentos de gratid?o pelo projeto, mensagens de incentivo, pedidos para que a equipe escolar permane?a ano que vem. ?Por isso, torna-se imprescind?vel sonhar, pois o ato de sonhar se constitui tamb?m como ato pol?tico, hist?rico-social que, dentro da hist?ria, se coloca em permanentemente processo de tornar-se.?
Ao t?rmino da reuni?o agendamos a realiza??o de uma assembleia geral da escola, com a presen?a de alunos, familiares, associa??es de bairro, governo municipal entre outros para apresentarmos uma devolutiva das a??es do Comunidade de Aprendizagem at? o presente para podermos ent?o seguir com a pr?xima etapa que ser? o planejamento onde criaremos nosso plano de a??o de transforma??o da escola.
Conclus?o
Diante de tudo que foi vivenciado, conclui-se que apesar de todas dificuldades que possu?mos h? muitos anos para desenvolver uma educa??o de qualidade e igualit?ria, em muitas situa??es, uma proposta objetiva de transforma??o pode gerar um sentimento de esperan?a de supera??o dessas adversidades e consequentemente atingirmos nossos objetivos de melhora e sucesso na educa??o atual. A abertura do espa?o de escuta que o Comunidade de Aprendizagem possibilita, onde ? poss?vel todos opinarem sobre o funcionamento da escola, tr?s uma rela??o de igualdade entre professores, gestor, funcion?rios, membros da comunidade, familiares e alunos que a escola precisa para despertar a corresponsabilidade de todos nessa t?o sonhada educa??o de qualidade com igualdade.
Bibliografia
MELLO Roseli; BRAGA Fabiana; GASSA Vanessa. Comunidades de Aprendizagem ? Outra escola ? poss?vel, EDUFSCAR, 2012
BORJA Gl?ucia, A escola em transforma??o e sua trajet?ria
Fich?rio Comunidade de Aprendizagem do Instituto Natura
Site: www.comunidadedeaprendizagem.com